Que produtos estão excluídos do direito de livre resolução?

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Que produtos estão excluídos do direito de livre resolução?

A lei portuguesa fixa uma lista fechada de contratos em que o consumidor não pode resolver livremente a compra. Está no artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 24/2014 e não é ampliável: o que não consta dessa lista mantém os 14 dias de devolução.

Resposta curta

  1. As exceções ao direito de livre resolução estão no artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 24/2014 e formam uma lista taxativa, que a loja não pode alargar.
  2. Estão excluídos os bens confecionados de acordo com especificações do consumidor ou manifestamente personalizados, e os bens que se deteriorem ou fiquem rapidamente fora de prazo.
  3. Também os bens selados que, por motivos de proteção da saúde ou de higiene, não podem ser devolvidos depois de abertos, e as gravações áudio ou vídeo e programas informáticos selados a que o cliente retirou o selo após a entrega.
  4. Jornais, periódicos e revistas estão fora do direito de livre resolução, com exceção dos contratos de assinatura.
  5. Os conteúdos digitais sem suporte material só ficam excluídos se a execução tiver começado com consentimento prévio e expresso do cliente e com o reconhecimento de que perde o direito.

A lista do artigo 17.º aplicada a uma loja online

Exceções ao direito de livre resolução previstas no artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 24/2014.

CategoriaExemplo numa loja onlineCondição para valer
Bens personalizados ou feitos por medidaT-shirt com nome impresso, móvel à medida, joia gravadaConfecionado segundo especificações do cliente ou manifestamente personalizado
Bens perecíveisFruta fresca, refeições, flores cortadasSuscetíveis de se deteriorarem ou de ficarem rapidamente fora de prazo
Bens selados por higiene ou saúdeAuscultadores intra-auriculares, cosméticos, roupa interiorO direito só se perde depois de o selo ser aberto após a entrega
Gravações e programas informáticos seladosCD, DVD ou jogo em caixa seladaSelo de garantia de inviolabilidade retirado após a entrega
Jornais, periódicos e revistasNúmero avulso de uma revistaAs assinaturas mantêm o direito de livre resolução
Conteúdos digitais sem suporte materialFicheiro descarregado, curso em vídeo, licença de softwareConsentimento prévio e expresso, com reconhecimento da perda do direito

Exemplo prático

Uma loja vende auscultadores intra-auriculares em embalagem selada. Se o cliente devolver a caixa fechada, o direito de livre resolução aplica-se por inteiro e a devolução é aceite. Se tiver aberto o selo, o artigo passa a estar excluído — mas apenas se a loja tiver indicado essa condição antes da compra, na própria ficha de produto.

A mesma loja vende t-shirts com impressão do nome do cliente. Aqui a exclusão é a dos bens manifestamente personalizados e não depende de selo nenhum. O que não muda é o dever de informar: quando não há direito de livre resolução, a loja tem de indicar ao consumidor, antes da compra, que ele não beneficia desse direito.

O erro caro é o inverso: escrever nas condições que não se aceitam devoluções de artigos em saldo. Os saldos e as promoções não constam do artigo 17.º, por isso um artigo comprado em campanha mantém os 14 dias, e a cláusula que lhe retira o direito é nula. A exclusão é do tipo de bem, nunca do preço a que foi vendido.

Erros frequentes

  • Alargar a lista por conta própria, escrevendo que não se aceitam devoluções de artigos em saldo, em promoção ou em campanha.
  • Aplicar a exceção de higiene a um artigo que voltou com o selo intacto: o direito só se perde depois de o selo ser aberto.
  • Chamar personalizado a um artigo que o cliente apenas escolheu entre variantes de cor ou tamanho já existentes no catálogo.
  • Vender conteúdos digitais sem recolher o consentimento prévio e expresso e o reconhecimento da perda do direito, e recusar o reembolso depois.
  • Indicar a exceção só na página de devoluções ou no rodapé, em vez de a mostrar na ficha do produto excluído, antes da compra.

Como o 4shopy ajuda

  • Pode escrever a condição de devolução no próprio produto, com um campo de descrição por artigo, para a exceção aparecer no ecrã onde o cliente decide a compra.
  • Os artigos personalizáveis, com opções ou gravação, ficam identificados no catálogo e na encomenda, para saber depois quais estavam mesmo excluídos.
  • O 4shopy constrói a loja, mas não classifica juridicamente o seu catálogo: decidir que artigos cabem no artigo 17.º é da sua responsabilidade e deve ser confirmado com apoio jurídico.